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O que faz um SDR: funções, rotina e metas em vendas B2B
SDR é o profissional que qualifica leads e agenda reuniões para vendedores. Entenda funções, rotina, metas e como estruturar a posição.
SDR (Sales Development Representative) é o profissional responsável por prospectar e qualificar leads antes de repassá-los para o time de vendas. A função concentra-se em identificar oportunidades reais, fazer o primeiro contato (cold call, e-mail, WhatsApp) e agendar reuniões com potenciais clientes que tenham perfil e interesse — economizando tempo dos vendedores mais sêniores e melhorando a qualidade das oportunidades que chegam à negociação. Quantas reuniões um SDR consegue gerar depende muito do segmento, do ticket e do ciclo de vendas — por isso a meta certa é a que você calibra com os seus próprios números.
Empresas B2B brasileiras — especialmente as que vendem software, consultorias, distribuição e serviços complexos — adotam a posição de SDR para separar a prospecção da negociação. O resultado: o vendedor (ou closer) foca em fechar negócios, enquanto o SDR mantém o topo do funil alimentado. Nos próximos tópicos você vai entender o que o SDR faz no dia a dia, quais metas fazem sentido, como estruturar a posição e por que ela pode ser o diferencial entre um time de vendas que patina e outro que escala de forma previsível.
Principais funções de um SDR
A função central do SDR é qualificar leads antes que cheguem ao vendedor. Qualificar significa descobrir se o lead tem perfil (ICP), orçamento, necessidade e timing para comprar. O SDR atua como filtro e primeiro ponto de contato — reduz o ruído no funil e aumenta a qualidade das oportunidades que sobem para negociação.
1. Prospecção ativa (outbound)
O SDR busca ativamente empresas que se encaixam no perfil de cliente ideal. Isso inclui:
- Montar listas de prospecção: usar bases de CNPJ (como a da Receita Federal) para identificar empresas por segmento (CNAE), porte, localização e tempo de mercado. Quem vende ERP para construtoras, por exemplo, monta listas de empresas ativas no setor (389.732 construtoras ativas no Brasil, segundo a base da Receita de maio de 2026) e filtra por porte e região de atuação.
- Encontrar contatos de decisores: telefone, e-mail e nome dos sócios ou gestores. A base da Receita traz telefone e e-mail informados pela empresa (nem sempre atualizados) e o quadro de sócios com CPF parcialmente mascarado. Para encontrar decisores, o SDR cruza essas informações com LinkedIn, site da empresa e ligações diretas. Saiba mais em como conseguir o telefone de empresas pelo CNPJ.
- Fazer o primeiro contato: ligar (cold call), enviar e-mail frio ou mensagem no WhatsApp com abordagem personalizada. O objetivo é despertar interesse e conseguir uma conversa inicial. Veja exemplos práticos em modelos de mensagem de prospecção.
A prospecção ativa exige volume e consistência. O número de tentativas de contato por dia (ligações + e-mails + mensagens) varia com a complexidade do público e com o quanto cada abordagem é personalizada — o importante é que seja constante e medido.
2. Qualificação de leads (inbound e outbound)
Qualificar é filtrar. O SDR recebe leads do marketing (inbound — quem preencheu formulário, baixou material ou pediu orçamento) e leads que ele mesmo gerou (outbound). Antes de marcar reunião, ele faz perguntas para validar fit e interesse:
- Perfil (fit): a empresa tem o porte, segmento e localização que seu produto atende bem? Um software para distribuidoras não faz sentido para uma loja de roupas.
- Necessidade: a empresa enfrenta a dor que sua solução resolve? O timing é agora ou "talvez no ano que vem"?
- Orçamento: existe verba aprovada ou previsão de investimento? Se a resposta for "não temos orçamento", o lead pode ir para nutrição, não para o vendedor.
- Decisor: quem decide a compra? O SDR está falando com essa pessoa ou precisa subir na hierarquia?
Frameworks como BANT (Budget, Authority, Need, Timing) ou GPCT (Goals, Plans, Challenges, Timeline) ajudam a estruturar a conversa. O resultado da qualificação é uma decisão: o lead vira SQL (Sales Qualified Lead, pronto para o vendedor) ou volta para nutrição até ter timing. Entenda mais em como qualificar um lead B2B.
3. Agendamento de reuniões
Depois de qualificar, o SDR marca a reunião (demo, apresentação comercial ou discovery) entre o lead e o vendedor ou closer. O agendamento precisa ser firme: data, hora, participantes confirmados e contexto passado ao vendedor (resumo da qualificação, dores levantadas, perfil da empresa).
SDRs costumam usar CRM e agenda compartilhada para evitar conflitos de horário. A passagem de bastão entre SDR e vendedor é crítica: se o vendedor chega despreparado, a reunião esfria. O ideal é que o SDR envie um resumo antes e participe dos primeiros minutos da reunião para apresentar o lead.
4. Follow-up e nutrição
Nem todo lead qualificado compra imediatamente. O SDR faz follow-up com leads que demonstraram interesse mas não tinham timing (por exemplo, "retome em 3 meses") e alimenta relacionamento com leads que estão no meio do funil. Isso inclui:
- Enviar conteúdo relevante (cases, artigos, calculadoras)
- Reagendar reuniões que desmarcaram
- Manter contato periódico até que o lead esteja pronto
A nutrição mantém o pipeline saudável e reduz o custo de aquisição — é mais barato reativar um lead morno do que prospectar um novo do zero.
Rotina de um SDR: como é o dia a dia
A rotina de SDR é estruturada e previsível. Profissionais de alta performance organizam o dia em blocos de atividade e trabalham com metas diárias claras.
Manhã: bloco de prospecção
Das 9h às 12h, o SDR dedica-se a ligações frias e follow-ups. Muitos times reservam a manhã para isso, antes de a agenda dos decisores lotar — mas teste horários com o seu público. A rotina inclui:
- Revisar a lista de leads do dia (quem ligar, em que ordem)
- Fazer o bloco de ligações, com roteiro na mão e CRM aberto para anotar resultado de cada tentativa
- Enviar e-mails de follow-up logo após tentativas frustradas ("Tentei ligar, mas não consegui. Podemos conversar sobre [dor específica]?")
SDRs usam discadores ou listas no CRM para otimizar tempo entre ligações. O objetivo do bloco é transformar tentativas em conversas reais com decisores — e sair dele com alguns leads qualificados.
Tarde: qualificação e agendamento
Das 14h às 17h, o foco muda para qualificação e agendamento. O SDR:
- Retorna ligações de quem demonstrou interesse pela manhã
- Faz discovery calls (ligações de qualificação mais longas, 10 a 15 minutos) com leads que responderam positivamente
- Marca reuniões na agenda dos vendedores e envia confirmação por e-mail ou WhatsApp
- Atualiza o CRM com notas de cada conversa, estágio do lead e próximos passos
A tarde também é usada para responder mensagens no WhatsApp e e-mails que chegaram durante o dia.
Final do dia: planejamento e reporte
Antes de encerrar, o SDR:
- Revisa as metas do dia (quantas tentativas, quantas conversas, quantas reuniões agendadas)
- Prepara a lista de prospecção do dia seguinte (quem ligar, quais empresas abordar)
- Atualiza o dashboard de métricas (no CRM ou planilha): calls feitos, taxa de conversão, reuniões agendadas
- Passa contexto de leads qualificados para os vendedores (resumo no CRM ou mensagem direta)
Essa rotina gera previsibilidade. SDRs que trabalham sem estrutura (ligam "quando dá tempo") têm performance irregular e metas difíceis de bater.
Metas de um SDR: o que medir
Metas de SDR são de atividade (quantas tentativas, quantas conversas) e de resultado (quantas reuniões qualificadas agendadas). O equilíbrio entre os dois tipos garante que o SDR faça volume suficiente e entregue qualidade.
Metas de atividade (diárias ou semanais)
- Tentativas de contato por dia (ligações, e-mails, mensagens). Sem volume, não há pipeline.
- Conversas efetivas por dia. Uma conversa efetiva é quando o SDR consegue falar com o decisor ou alguém próximo (não conta secretária ou "ligue amanhã").
- E-mails e mensagens enviados, personalizados (não copia-e-cola genérico).
- Tempo de ligação ativa (excluindo pausas e tempo de CRM).
Metas de atividade garantem consistência, e a conta sai do seu próprio funil. Um exemplo hipotético: se o seu SDR faz 80 ligações por dia e, no histórico do time, 2% delas viram reunião, isso dá 1,6 reunião por dia (cerca de 32 por mês, com 20 dias úteis). Se ele faz só 30 ligações, o resultado cai proporcionalmente. Comece medindo as taxas reais do seu time por algumas semanas antes de fixar os números.
Metas de resultado (mensais)
- Reuniões qualificadas agendadas (SQL gerados): a meta principal. O número certo depende do ticket e do ciclo — vendas de ticket alto e ciclo longo pedem menos reuniões e mais bem qualificadas; ticket baixo e ciclo rápido pedem mais volume.
- Taxa de conversão de tentativa para conversa: se cair em relação ao seu histórico, revise a qualidade da lista ou o horário das ligações.
- Taxa de conversão de conversa para reunião agendada: se está baixa, o problema pode estar na qualificação (lead sem fit) ou no pitch.
- Taxa de show-up (leads que comparecem à reunião agendada): se muitos leads faltam, revise o processo de confirmação e o valor percebido na abordagem.
Metas atreladas a receita (quanto o SDR "gerou" de pipeline) também podem entrar na conta. Um exemplo hipotético: se cada reunião vira, em média, R$ 10 mil de pipeline, um SDR que agenda 30 reuniões gera R$ 300 mil de oportunidades. Parte da remuneração variável pode vir dessa métrica.
Metas que NÃO funcionam
Evite metas que incentivam comportamento errado:
- Número de leads no CRM: SDR pode cadastrar qualquer contato, inflando a base sem qualidade.
- Taxa de resposta de e-mail: induz a enviar e-mails genéricos de massa em vez de personalizar.
- Reuniões agendadas sem qualificação: gera reuniões que não fecham, desperdiçando tempo do vendedor.
A meta principal de um SDR é gerar oportunidades reais para o time de vendas. O restante são indicadores intermediários.
Habilidades e ferramentas de um SDR
Habilidades essenciais
- Comunicação clara e persuasiva: o SDR precisa despertar interesse em 30 segundos de ligação ou 3 linhas de e-mail. Falar difícil ou enrolar afasta o lead.
- Resiliência e consistência: ouvir "não" é rotina. SDRs de alta performance mantêm a energia mesmo depois de 20 tentativas frustradas.
- Organização e disciplina: seguir a rotina, atualizar o CRM e cumprir follow-ups exige método. Sem organização, leads esfriam.
- Curiosidade e escuta ativa: fazer perguntas inteligentes e ouvir mais do que falar diferencia o SDR que qualifica bem do que só lê script.
- Conhecimento do negócio: entender a dor que o produto resolve, o mercado do cliente e como sua solução se diferencia da concorrência. SDR que não conhece o produto qualifica mal.
Ferramentas do dia a dia
- CRM: Pipedrive, HubSpot, RD Station CRM ou qualquer sistema que centralize contatos, histórico de interação e pipeline. O CRM é a única fonte de verdade — tudo que não está no CRM, não existe.
- Base de dados de empresas: acesso a CNPJ, CNAE, telefone, e-mail e sócios. Veja as opções gratuitas e pagas em base de dados de empresas por CNPJ.
- Discador ou softphone: integração de telefonia com CRM (ex.: Aircall, Zendesk Talk) agiliza ligações e grava conversas para treinamento.
- E-mail e sequências automatizadas: ferramentas de cadência (HubSpot Sequences, Lemlist, Mailshake) permitem enviar e-mails de follow-up automáticos sem perder personalização.
- WhatsApp Business ou API: prospecção pelo WhatsApp exige conta comercial para não virar spam. Veja prospecção pelo WhatsApp.
- Planilhas e dashboards: Google Sheets ou Excel para acompanhar metas diárias e semanais; dashboards no CRM ou Looker Studio para visão gerencial.
Como estruturar a posição de SDR na sua empresa
Quando faz sentido ter SDR
Nem toda empresa B2B precisa de SDR. A posição faz sentido quando:
- O ciclo de vendas é longo ou complexo (mais de 30 dias): vendedores passam muito tempo qualificando leads ruins. O SDR filtra antes.
- Você tem volume de leads (inbound ou lista grande de prospecção): sem volume, o SDR fica ocioso.
- O ticket médio justifica o investimento: faça a conta — quanto custa o SDR por mês e quantos clientes a mais ele precisa gerar para se pagar. Com ticket baixo, um SDR dedicado pode não fechar a conta.
- A equipe de vendas está travada em qualificação: se vendedores passam boa parte do tempo ligando frio em vez de negociar, o gargalo está no topo do funil.
Empresas pequenas ou com vendedores full-cycle (fazem prospecção e fechamento sozinhos) podem esperar para estruturar SDR até o time crescer ou até a falta de pipeline começar a travar as vendas.
Perfil ideal de contratação
SDR é cargo de entrada, mas nem todo perfil se adapta. Busque:
- Fome de resultado e vontade de crescer: muitos SDRs querem virar vendedores. Esse desejo é combustível.
- Comunicação natural e empatia: não precisa ser extrovertido, mas precisa gostar de falar com gente e entender dores.
- Disciplina e organização: candidatos que já trabalharam com rotinas estruturadas (ex.: atendimento, suporte, backoffice) costumam se adaptar bem.
- Resiliência emocional: teste com simulações de objeção na entrevista. Se desanima com "não", a função vai ser um martírio.
Experiência prévia em vendas ajuda, mas não é obrigatória. Muitos SDRs de sucesso vieram de áreas diferentes (tecnologia, saúde, educação) e aprenderam na prática.
Onboarding e treinamento
SDR novo precisa de ramp-up estruturado. Um exemplo de plano para os dois primeiros meses:
- Semana 1: imersão no produto, no mercado e no ICP. O SDR precisa entender por que o cliente compra antes de aprender como vender.
- Semana 2: shadowing (ouvir ligações de SDRs experientes) e role-play (simular ligações com o gestor). Scripts e templates são entregues aqui.
- Semana 3-4: primeiras ligações reais, com lista de leads menos estratégicos (para errar sem custo alto). Feedback diário do gestor.
- Mês 2: meta reduzida (por exemplo, metade da meta de SDR pleno) e foco em melhorar conversão. Revisão semanal de gravações de ligação.
Treinamento contínuo (semanal ou quinzenal) mantém o time afiado: objeções novas, ajustes de pitch, boas práticas de quem está performando melhor.
Remuneração e incentivos
SDR costuma ter salário fixo + variável (comissão ou bônus). A proporção entre fixo e variável muda de empresa para empresa. Exemplos de remuneração variável:
- Por reunião qualificada agendada: um valor por SQL gerado, calibrado pelo ticket e pelo segmento.
- Por oportunidade fechada pelo vendedor: comissão menor que o vendedor, mas atrelada ao resultado final (ex.: 5% da comissão total do closer). Isso incentiva qualidade, não só volume.
- Bônus por meta batida: meta mensal (ex.: 30 reuniões) paga bônus fixo ou gatilho de aceleração (acima de 120% da meta, dobra a comissão unitária).
Evite estruturas complexas que o SDR não entende. Se ele não sabe quanto vai ganhar por bater a meta, perde motivação.
Integração com o time de vendas
SDR e vendedor (closer, AE ou executivo de contas) trabalham juntos. A relação precisa de clareza:
- SLA de qualificação: o que é um lead qualificado? Defina critérios BANT ou GPCT por escrito. Se o vendedor receber leads que não batem com o combinado, devolve para o SDR refiltrar.
- SLA de resposta do vendedor: reunião agendada pelo SDR precisa acontecer em até 3 dias úteis (idealmente 1 dia). Lead quente que espera demais esfria.
- Feedback do vendedor para o SDR: se a reunião não virou oportunidade, por quê? O lead não tinha fit? A qualificação foi superficial? O timing estava errado? Feedback semanal melhora a qualidade do pipeline.
- Comemoração de fechamento: quando um lead do SDR fecha, comemore junto. Isso reforça o propósito da função.
Conflitos típicos: vendedor reclama que os leads do SDR "não prestam"; SDR reclama que vendedor não converte leads bons. A solução é transparência de métricas e reunião semanal de alinhamento.
SDR e tecnologia: como IA e dados melhoram o trabalho
Inteligência artificial já aparece em várias etapas do trabalho de SDR, aumentando produtividade sem perder o toque humano.
Busca e priorização de leads
Ferramentas com IA ajudam o SDR a filtrar quem prospectar primeiro. Em vez de ligar para 1.000 empresas aleatórias de um CNAE, a IA sugere as 50 que mais combinam com o perfil de cliente ideal — por exemplo, construtoras abertas nos últimos 2 anos em determinadas cidades, com capital social acima de R$ 100 mil. Isso reduz tempo perdido com leads frios.
Na Prospecta, por exemplo, o SDR pede em português ("preciso de distribuidoras de alimentos em Minas Gerais com mais de 5 anos de mercado") e recebe a lista filtrada com telefone, e-mail e quadro de sócios vindos da base da Receita Federal, além de uma nota de encaixe no cliente ideal — sem comprar lista pronta de terceiros. Dá para testar grátis por 7 dias, sem cartão (veja os planos).
Personalização em escala
IA generativa (como ChatGPT, Gemini ou modelos integrados a CRMs) ajuda o SDR a personalizar e-mails e mensagens rapidamente. Em vez de copiar e colar o mesmo texto para 50 empresas, o SDR alimenta a IA com dados do lead (segmento, dor típica, cidade) e gera variações personalizadas em segundos. O resultado: mensagem que parece escrita para aquela empresa, em bem menos tempo — desde que o SDR revise antes de enviar. Saiba mais em como usar IA na prospecção.
Análise de conversas e coaching
Ferramentas de análise de ligações (Gong, Chorus, ou módulos de IA em CRMs) transcrevem calls, identificam objeções recorrentes, medem tempo de fala do SDR versus do lead e sugerem melhorias. O gestor vê, por exemplo, que o SDR interrompe o lead demais ou não faz perguntas de qualificação — e treina no ponto exato. Isso acelera a curva de aprendizado.
Automação de follow-ups
Sequências automatizadas de e-mail e WhatsApp (com gatilhos baseados em comportamento do lead) liberam o SDR para focar em conversas ao vivo. Se o lead abriu o e-mail mas não respondeu, a ferramenta envia o segundo e-mail automaticamente 3 dias depois. O SDR só entra quando o lead responde ou demonstra interesse real.
Carreira: de SDR a líder de vendas
SDR é porta de entrada para vendas B2B. Uma progressão comum (o tempo em cada etapa varia bastante de empresa para empresa):
- SDR Júnior: aprendendo rotina, scripts e CRM.
- SDR Pleno: bate meta consistentemente, conhece o mercado, começa a ajudar no treinamento de novos SDRs.
- SDR Sênior ou Team Lead: coordena um pequeno grupo de SDRs, ajuda na contratação, treina e define processos.
- Vendedor / Closer / Account Executive: passa para a etapa de negociação e fechamento, com meta de receita.
- Sales Manager ou Head de Vendas: lidera o time inteiro (SDRs + vendedores), define estratégia e metas.
Empresas que valorizam promoção interna costumam oferecer caminho claro: "6 meses batendo meta consistentemente e você vira AE". SDRs que querem crescer rápido investem em:
- Entender do negócio além do script: ler sobre o mercado do cliente, estudar concorrentes, conhecer cases de sucesso.
- Pedir feedback ativo: gravar ligações e pedir para o gestor revisar; perguntar ao vendedor como foi a reunião agendada.
- Ser curioso sobre fechamento: acompanhar demos e propostas dos vendedores (mesmo sem participar da negociação) para entender o que acontece depois da qualificação.
SDRs que só cumprem tabela e não se interessam pelo resultado final raramente são promovidos.
Erros comuns de SDRs (e como evitar)
1. Prospectar sem critério (atirar para todo lado)
Problema: ligar para qualquer empresa com CNPJ ativo, sem filtrar por porte, segmento ou timing. Resultado: taxa de conversão baixíssima e desmotivação.
Solução: defina ICP claro (veja o que é ICP) e use filtros de busca (CNAE, localização, tempo de mercado). Menos tentativas, mais qualidade.
2. Ler script como robô
Problema: seguir o script palavra por palavra, sem adaptar à resposta do lead. O discurso fica artificial e o lead desliga.
Solução: use o script como guia, não como lei. Treine variações de abertura e objeções. O melhor script é o que parece conversa natural.
3. Não qualificar de verdade (só marcar reunião)
Problema: agendar reunião com qualquer lead que "topa conversar", sem validar fit, orçamento ou timing. O vendedor perde tempo em reuniões que não avançam.
Solução: faça as perguntas de qualificação ANTES de marcar a reunião. Se o lead não responde ou desconversa, não é SQL — vai para nutrição. Veja como qualificar um lead B2B.
4. Esquecer de fazer follow-up
Problema: o lead pede "me ligue semana que vem" e o SDR esquece. Perde-se a oportunidade por falta de organização.
Solução: anote TUDO no CRM. Crie uma tarefa com data no CRM para cada follow-up combinado. Muitas reuniões saem do segundo, terceiro ou quarto contato — não do primeiro.
5. Desistir rápido
Problema: tentar contato 1 ou 2 vezes e desistir. Decisores B2B são ocupados; muitas vezes é preciso insistir algumas vezes, alternando canais (ligação, e-mail, WhatsApp) em dias e horários diferentes.
Solução: use cadência de prospecção: 1ª tentativa (dia 1, 10h, ligação); 2ª tentativa (dia 2, 15h, e-mail); 3ª tentativa (dia 4, 9h, ligação); e assim por diante. Persistência inteligente, não spam.
LGPD e prospecção ativa: o que o SDR precisa saber
A Lei Geral de Proteção de Dados protege dados de pessoas físicas. Para SDRs, os pontos críticos são:
- Dados da empresa (CNPJ): razão social, endereço, telefone e e-mail informados pela empresa à Receita Federal são dados da pessoa jurídica, não dados pessoais. O cuidado aumenta quando o dado identifica uma pessoa — caso do MEI, que se confunde com a pessoa física, e dos sócios. Nesses casos, a base mais usada em prospecção B2B é o legítimo interesse, com abordagem ligada à atividade profissional e opção clara de não receber mais contato (opt-out).
- Dados de sócios: o CPF vem mascarado na base pública (só os dígitos do meio, como
***.456.789-**). Evite garimpar dados pessoais de sócios em outras fontes para mensagens pessoais; prefira canais institucionais (telefone da empresa, e-mail comercial). - Opt-out: se o lead pedir para não ser contatado novamente, o SDR deve anotar no CRM e parar o contato. Além de respeitar o titular, insistir queima a marca.
- Segurança da informação: dados de leads no CRM precisam de acesso restrito e backup seguro. Vazamento de base gera multa e dano reputacional.
Prospecção B2B bem feita respeita a LGPD sem travar o trabalho. Entenda mais em LGPD na prospecção B2B.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre SDR e BDR?
SDR (Sales Development Representative) foca em inbound e outbound próximo — qualifica leads que chegaram via marketing (preencheram formulário, baixaram material) ou que foram prospectados em listas pré-definidas pelo time. BDR (Business Development Representative) foca em outbound puro e prospecção estratégica — busca novos mercados, contas grandes (ABM — Account-Based Marketing) e parcerias. Na prática, muitas empresas brasileiras usam "SDR" como termo guarda-chuva para ambas as funções, ou têm apenas SDRs fazendo os dois papéis. A diferença importa mais em empresas de médio e grande porte com times especializados.
Quanto ganha um SDR?
Não existe um valor único: a remuneração de SDR costuma combinar salário fixo e variável (por reunião qualificada, por oportunidade fechada ou por meta batida), e o total muda bastante conforme a senioridade, a cidade, o segmento e o ticket do produto — ticket mais alto tende a permitir variável maior. Para ter uma referência atual, consulte pesquisas salariais e vagas abertas na sua região e no seu segmento. Para quem contrata, o ponto principal é que o SDR entenda com clareza quanto ganha ao bater a meta; para quem é SDR, vale olhar o plano de carreira tanto quanto o salário de entrada.
SDR funciona em qualquer segmento B2B?
SDR funciona melhor em vendas B2B com ciclo estruturado, ticket médio a alto e necessidade de qualificação prévia. Segmentos onde a posição faz sentido: software (SaaS), consultorias, equipamentos industriais, distribuição B2B, franquias, serviços de marketing e tecnologia, seguros empresariais, contabilidade para PMEs. Segmentos onde SDR pode não fazer sentido: vendas transacionais de ticket baixo (ex.: revenda de produtos de prateleira sem consultoria), vendas 100% autosserviço (cliente compra sozinho no site), ou mercados muito nichados onde o próprio dono/vendedor sênior precisa fazer a qualificação técnica desde o início. Se a sua venda envolve explicar o problema e customizar solução, SDR ajuda; se é "clique e compre", provavelmente não.
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